Djavan ou Banda Djavú
Djavan ou Banda Djavú
Dos risca faca à USP
o popular ou o populista?
dualista ou imediatista?
o cultural semi burguês?
ou o popular pobrês?
nem um dois dois ou os três,
de uma só vez: arte, cultura e vocês!
valores sociais e econômicos
senta, que lá vem história
você pode gostar de MPB
ou tecnobrega
de forró
música clássica…
mas entende o que estas castas
são nada mais, nada menos do que farras
farras rasas, farras caras?
castas com falas!
erudito, popular e populista
valores étnicos, sociais
valores culturais, daqui e dali
ambos, por tal, baseados no real (R$)
um capital cultural
um capital político
um capital étnico
um capital histórico
serão sempre permeados por forças de poder
poder de fala, poder de lugar
poder de estrelato…
e o que é comum à todos os discursos? poder!
poder de estar em evidência
poder de ser evidenciado
discutido e elucidado
no campo da arte, cultura e sociedade
o poder é o tal!
tal, que nessa peça de xadrez por sua vez…
o tal não é o artista
o tal não é o público
o tal é antes, quem os fomenta
quem manda no jogo entre influenciador
quem manda no jogo dos influenciados
quem não aparece
quem não estampa capas de jornais, revistas, portais e canais
é a tal da mão oculta do poder (Adam Smith)
do capital cultural (Pierre Bourdieu)
são os S. A. da vida…
sociedades anônimas e não tão secretas assim!
que detém o poder do capital cultural
se interessam e muito por política, mas aparecem pouco ou quase nunca
que detém o poder político….
mas se rendem aos prazeres do capital (Daniel Vorcaro e Jeffrey Epstein)
veja, o cultural é popular, erudito e atrativo
para o público, A, B, C, D e E.
porém quem determina o que cada um consome
você nem vai saber
se é Djavú ou Djavan
sempre haverá alguém lucrando
que não está nem aí pra sua intelectualidade
ou necessidade de farrear
uma vez, eu na FFLCH da USP
toquei Os Barões da Pisadinha
claro, como pobre, baiano, nordestino
filho do FIES e professor concursado:
ME VINGUEI DO SISTEMA
quando toquei um forró fuleiro
pra um monte de professores concursado
dos municípios e estados de SP, eles entenderam a minha crítica
e no dia, um senhor, neste prédio dançou ao som de os Barões da Pisadinha
ele era o tiozinho do lanche, acho que era pipoca…
ele começou a dançar, meus amigos professores filmando
e ele se divertiu, talvez o único que entendeu
e ali, com o forrozinho dele, teve vez
num lugar cheio de ricos
playboys que não cheiram a boletos…
filhos de empresários, políticos e poderosos
aquele tiozinho da pipoca se identificou com o som do forrozinho
talvez, em anos de USP, em anos de invisibilidade
aquele senhor, se conectou comigo
pensou: esse caba sabe das coisas
toquei um forrozinho pra minha classe
em um lugar que não me pertence
mas que por insistência social, cultura e econômica
foi obrigado a me receber
não por meritocracia, mas por um equilíbrio forçado
um governo que entende as desigualdades
e coloca o pobre, nordestinos, negros, índios, LGBTQIA+
em lugares de poder, de fala
e lá, não somos mais e somente cozinheiros, faxineiras, seguranças e o tio da pipoca
nos somos os que toca
os que incomoda
de turbante e coca sagrado
de batuques e estrelato
o sistema não deixa barato com quem é mulato
nordestino, cor parda ou preta
viado* e sapatão não tem vez?
tem sim, logo menos estarão cada vez mais ocupando espaços
por suas próprias glórias
seu trabalho, talento
dignidade, espiritualidade e ancestralidade
e nisso eu digo, temos capacidade, não temos oportunidade
e, tendo oportunidade, parceiro… nós arregaça!
ali eu venci o sistema
os Barões da Pisadinha
assim como a Banda Djavú
assim como Djavan, preto e artista
foderam com o sistema.
eu estive na USP
não como aluno
mas como professor convidado
nordestino pobre, filho de mãe cozinheira e irmãos pescadores
eu venci
eu sou foda
aceite você ou não
toco Djavan ou Banda Djavú
entendo a erudição clássica
o academicismo burguês
as nuances, sociais, psicológicas e artísticas do sistema
eu sou foda e não peço desculpas por isso
eu sou a arte e ela me atravessa
ela passa por mim como fazer
intelectual, produtivo, crítico e empírico
a arte sou eu e cada gota de transpiração da minha existência é arte
daqui e para sempre e em qualquer parte
deste e de outros planetas
dessas e de outras dimensões e parte
porque a arte, faz parte
para vivermos sem ela, a vida
como você a conhece
simplesmente não existiria sem seres como eu
que doam suas almas e existência a essa bela dama: a arte
Djavan ou Banda Djavú
Dos risca faca à USP
Fonte: https://conscienciando.com.br/djavan-ou-banda-djavu/


