e de repente é Natal

e nem é Natal

mesmo porque ainda estamos

cá estamos, em Maio

 

hora, de que me serve o Natal?

porque eu almejo o Natal?

eu quero ser e estar natalino

o clima, os presentes, as luzes…

 

as pessoas?

nha! as pessoas…

ah! é verdade, tem as pessoas!

ah! as pssoas depois a gente vê…

 

o clima natalino é lindo

ele nos traz reflexão

nos deixa mais humanos

apesar de desumanos por todo ano….

 

ah o natal!

e nem é Natal

ah o marco temporal

o tempo nem existe, dizem!

 

ele é pra ciência

o que não é pra mim e pra você

um juz implacável

mas antes, um marcador errático

 

então hoje é Abril

começo de ano ainda

e aquelas promessas do Natal passado?

e nem é Natal

 

o Natal, como o Ano Novo

são datas reflexivas

marcantes no tempo

e tens todo o tempo e nem tanto tempo assim

 

mas não é lá em Dezembro…

é agora em Abril!

sua maior chance de fazer

o que em Dezembro refletires tanto!

 

Oh Dezembro!

Oh Abril!

Como dizia Raul Seixas:

“Um dia de Maio ou Abril… O tempo parece parado…”

 

e nem é Natal

mas reflexão e ação

não estão presos senão

na ação ou não-ação do agora

 

portanto haja!

seja em setembro

seja em fevereiro

aja, porque o tempo é farseiro

 

haja, porque o tempo que dispõe,

chame ele de segunda ou domingo,

de manhã ou de tarde,

não tarda e se esvai

 

esvai-se de si

esvai-se das pessoas ao redor que se vão

esvai-se do zeitgeist da época que não volta

e você, aqui no presente, nostalgicamente lamenta…

 

 

e nem é Natal

e temos tempo

e tempo? não temos!

queremos tempo

 

e quando o temos,

in loco de termos-o, não o temos de fato,

e não o tomamos para uso quando in loco o possuímos

 

e nem é Natal

e fracassastes!

não comigo que escrevo…

não com os outros…

 

fracassastes não com você também

mas com o tempo que é você mesmo!

o tempo é uma propriedade do Universo, logo o tempo é você!

o fato de ser e estar dependem dessa propriedade: o tempo

 

o tempo não é rei, juiz ou algoz implacável!

é uma faceta do seu eu de agora, da sua existência…

escolha usá-lo ou não, não faz diferença!

faz toda a diferença, para a sua existência, o tempo.

 

e nem é Natal

não temos tempo

temos

tempo

e do temos que dispomos, não o tomamos!

 

e nem é Natal

 

Gil Marinho – 28/04/2026 06:36

 

 

 

 

 

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